Existem diversas formas de colaborar com o meio ambiente. Optar por produtos certificados, não importa qual seja a sua origem, se vem da terra e é retirado da mesma, de forma correta, estamos ajudando o nosso Planeta.
É o que acontece com os artesanatos, por exemplo. Em 53 municípios de Minas Gerais, 97 artesãos já conquistaram o Selo IQS. O certificado é concedido pela ONG Instituto de Qualidade Sustentável, por meio do Programa de Certificação da Produção Artesanal (PCPA).
Este projeto, coordenado pelo Instituto Centro CAPE auxilia o artesão a desenvolver sua produção sob as seguintes diretrizes: atividade artesanal economicamente viável, ambientalmente correta e socialmente justa.
Durante a fase de organização e adaptação, um grupo de consultores do Centro CAPE visita as comunidades cadastradas fazendo um acompanhamento detalhado de todo o processo produtivo dos artesãos. De acordo com os consultores do programa, o principal desafio encontrado é compatibilizar a realidade do produtor artesanal, que por sua natureza tem um caráter mais simples e rudimentar, com as exigências de um Projeto de Certificação que demandam uma sistematização maior.
Controle de estoque, planilha de custos, fluxo de caixa e ambiente organizado, são alguns dos itens trabalhados pelos consultores do projeto. Os resultados alcançados pelos artesãos que receberam o Selo IQS vão desde o aumento da produção até um maior volume de vendas.
Entretanto, o único estado a ter esta certificação, por enquanto, é o de Minas Gerais. Mas é possível encontrar estes produtos aqui em Curitiba, no Mercado Municipal.
A proprietária da loja K & M Artesanatos, Katia Maranhão, comenta que seu interesse por esta arte surgiu quando ela ainda era criança. Há sete anos ela comercializa artesanatos e com os produtos certificados ela trabalha há pouco tempo. “Eu tive que ficar um ano e meio com a minha loja fechada. Não existe artesanato orgânico, entretanto, eu participei da licitação na área de orgânicos e ganhei. Então precisei ir atrás da certificação das artes que comercializo. Então fui para Minas Gerais, onde fiquei conhecendo o Programa Mãos de Minas, que é do governo do estado. É um instituto sustentável e é feita uma supervisão dos produtos a cada seis meses, para manter o programa. É um processo caro então, muitas vezes, as empresas que comercializam estes artesanatos, são estrangeiras”, explica.
O processo que culminou com a criação da Central Mãos de Minas surgiu da experiência pessoal de sua fundadora, Tânia Machado.
Ao produzir peças artesanais, Tânia vivenciou as dificuldades que o artesão se deparava no processo de comercialização de seus produtos. As dificuldades iam desde as mais simples, como a emissão de notas fiscais para colocar o produto no mercado, até as mais complexas, como abrir as portas para o artesanato alcançar o mercado internacional.
Para mudar este cenário desfavorável,Tânia Machado mobilizou artesãos, empresas e governos para tentar mudar a realidade do setor artesanal. A iniciativa gerou os primeiros frutos quando, em 1983, foi criado o projeto Mãos de Minas, vinculado ao Conselho Estadual da Mulher lançado por Tancredo Neves.
Logo percebeu-se a importância do projeto e a Mãos de Minas tornou-se uma Associação sem Fins Lucrativos, disponibilizando, entre outros serviços, a emissão de notas fiscais aos produtores que, antes, tinham que buscar a Secretaria da Fazenda, enfrentando um longo processo burocrático, para garantir melhores condições de venda. Os trabalhos desenvolvidos pela Associação assumiram tamanha proporção que em pouco tempo a associação se tornou auto-suficiente.
Atualmente, a Central Mãos de Minas conta com mais de sete mil filiados de todo o estado de Minas Gerais. A instituição oferece apoio aos artesãos, desde a produção até à comercialização dos produtos. A ONG está envolvida em projetos de alcance nacional e internacional.
Os resultados dos trabalhos realizados pela Central Mãos de Minas já surtiram efeito, até mesmo em forma de leis. Regulamentar o artesão como profissão é outro objetivo dos associados com o apoio da Central.
Hoje, a Mãos de Minas se orgulha de fazer parte da história de crescimento desse setor que, no Brasil, reúne 8,5 milhões de pessoas, sendo 500 mil em Minas Gerais. O artesanato gera, em média, R$ 50 bilhões por ano para a economia nacional sendo um importante instrumento de geração de emprego e renda para a população.
Kátia ressalta que todos os produtos que comercializa são de madeira certificada e o algodão é orgânico, o que a permite vender os artesanatos na área de orgânicos do Mercado.
Além destes produtos, Katia também comercializa em sua loja materiais em papelão, que também possuem certificação.
Fontes: Centro Cape; Central Mãos de Minas e Artes em Papelão









