O conceito de agricultura orgânica surgiu com o inglês Sir Albert Howard, entre os anos de 1925 e 1930, que trabalhou e pesquisou durante muitos anos na Índia. Howard ressaltava a importância da utilização da matéria orgânica e da manutenção da vida biológica do solo.
Resumidamente, agricultura orgânica é o sistema de produção que exclui o uso de fertilizantes sintéticos de alta solubilidade, agrotóxicos, reguladores de crescimento e aditivos para a alimentação animal, compostos sinteticamente. Sempre que possível, baseia-se no uso de estercos animais, rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas e doenças. Busca manter a estrutura e produtividade do solo, trabalhando em harmonia com a natureza.
Segundo Eduardo Ehlers, debaixo do grande guarda-chuva que é o conceito de agricultura alternativa, insere-se a vertente da agricultura orgânica. Debaixo do mesmo guarda-chuva estão as chamadas agricultura natural, biodinâmica e biológica.
No início dos anos 1930, alguns cientistas alertaram sobre os equívocos do modelo convencional de produção agrícola (uso de insumos químicos, alta mecanização das lavouras, entre outras práticas) não seria este o modelo que garantiria o futuro das terras férteis.
Após a 2ª Guerra Mundial, os produtos químicos tornaram-se mais conhecidos, e consequentemente os agrotóxicos começaram a ser utilizados na agricultura convencional. No entanto, até os anos 1970, os defensores da agricultura sustentável eram ridicularizados.
A partir dos anos 1960, começam a surgir indícios de que a agricultura convencional apresenta sérios problemas energéticos, econômicos e causa um crescente dano ambiental. Neste período, várias publicações e manifestações despertaram o interesse da opinião pública. Na década de 1980 o movimento cresce, e em 1990, explode. Cada vez mais surgem produtores orgânicos até chegarmos ao quadro atual, no qual os orgânicos estão presentes nas gôndolas das grandes redes de supermercados.
Na década de 1970 eclodiu no Brasil o movimento de agricultura alternativa, em um primeiro momento no âmbito da agronomia, principalmente pela contribuição de José Lutzemberger, que com sua cultura, carisma, fundamentação, crítica e espírito inovador sensibilizou expressivo número de agrônomos a repensar seus paradigmas e fundamentos técnico profissionais.
Estava em evidência no país o modelo da revolução verde, fomentado pelas políticas públicas do projeto governamental de modernização da agricultura, quando se formaram os primeiros grupos de estudo e de contestação a tal projeto no país. Movimento esse que ganhou maior expressão no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, se expandindo posteriormente para Bahia, Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
Porém, diferente do que muitos pensam os orgânicos não estão apenas nos alimentos, existem diversos produtos desenvolvidos dentro desta cultura, como é o caso dos cosméticos. A socióloga Rose Bezelcry, teve a iniciativa de trabalhar com cosméticos orgânicos. Sendo assim, quando ficou sabendo da licitação para ter uma loja no Mercado Municipal de Curitiba, na área dos orgânicos, decidiu que abriria lá sua primeira loja de cosméticos orgânicos. Mesmo sem entender, naquela época, de cosméticos, ela veio e conquistou seu espaço. Daí em diante, Rose não parou mais de estudar, de adquirir conhecimentos e passou a entender mais sobre os benefícios dos cosméticos.

“Quando decidi que iria montar a minha loja, tive uma grande surpresa: no Brasil não existem produtos orgânicos para o desenvolvimento de cosméticos. Então fui para o exterior em algumas feiras deste seguimento e, novamente me surpreendi: encontrei três empresas brasileiras expondo nestas feiras e soube, então, que eles apenas fabricavam para exportação. A verdade é que, infelizmente, a população do nosso país não tem esta cultura de consumir produtos orgânicos. Precisei comprar os produtos a preço de contêiner para que eu pudesse montar minha loja”, destaca.
Rose teve um grande desafio, pois os produtos são vendidos com um valor acima da média, em relação aos cosméticos convencionais. Outro obstáculo encontrado pela socióloga foi em relação às obras do Mercado. “A entrega da loja atrasou e eu estava com os produtos parados. Então precisei ir até à prefeitura fazer uma exposição da situação e assim consegui que eles me cedessem uma loja na parte convencional do Mercado Municipal, para que eu diminuísse meu estoque. Fiquei lá por quatro meses, o que também me ajudou a mostrar meu trabalho para outros clientes, para aqueles que nem sempre vem à ala dos orgânicos e o fluxo de pessoas é maior por lá, então consegui conquistar minha clientela dos dois lados”, ressalta.

Mas, para que a sua loja tivesse sucesso, Rose precisou especializar-se e com isso ela se tornou aroamaterapeuta, massoterapeuta e agora esta cursando cosmetodologia. Entretanto, ela explica que o objetivo de sua loja, não é apenas a venda de produtos. “A minha intenção é vender o conceito aos meus clientes, não apenas que eles entrem, peguem um produto e vão embora. Desta forma tenho maior respaldo de reconhecimento, pois eu explico aos visitantes o que é preciso saber sobre a agricultura orgânica e sobre a qualidade de vida e, consequentemente, eles acabam comprando os produtos porque entendem os benefícios que eles têm, em relação aos convencionais”, comenta.

Porém, é preciso ter cuidados, pois não basta simplesmente dizer que os produtos são orgânicos. Para que o consumidor tenha esta certeza, o produto deve vir com o certificado de garantia e este vem desde a sua plantação. “Os cosméticos passam por um rastreamento, desde o cultivo até a produção final, ganhando assim a certificação de garantia de produto orgânico. Os benefícios são muitos: matéria-prima pura, sustentabilidade e uma química que não agride a pele, tendo eficácia de 95%”, explica Rose.
Por outro lado, as dificuldades são muitas. “Para que a matéria-prima seja considerada orgânica, é preciso conseguir a certificação orgânica e entrar na legislação das diretrizes de base das certificadoras, com o critério de ter 95% de matéria-prima proveniente de agricultura orgânica certificada”, alerta a socióloga.

Mas Rose destaca que a procura têm sido grande por estes produtos. O público-alvo de sua loja são pessoas com dermatite de contato, pessoas alérgicas, que fazem uso de químio-terápicos e pessoas que tenham noção de qualidade de vida, sendo este o verdadeiro cosmético natural. “Fazemos distribuição por todo o país e temos uma linha própria. Temos mini-franquias de display em lojas com a mesma filosofia que a nossa. Um exemplo é a Ecopalhano, na loja O Celeiro, em Londrina. Também temos franquias, uma em Itajaí e no dia 28 de abril, iremos inaugurar a segunda, em Maringá. E em julho está prevista a inauguração da terceira, no Alphaville, em São Paulo”, finaliza.
Fonte: AAO – Associação de Agricultura Orgânica


