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Ultra-Maratona no deserto e no gelo, você teria coragem?

14 de abril de 2011

Participar de uma maratona não é uma tarefa fácil. Requer muito treino, disciplina e, principalmente, comprometimento, uma vez que o desgaste físico e emocional em uma prova é muito grande.

Entretanto, para aqueles que gostam de um desafio ainda maior, existem as chamadas ultra-maratonas. Consideradas assim, no Brasil, todas as provas que tenham em seu circuito 50 km ou mais; nos Estados Unidos, ultra-maratona é toda a prova que tenha a partir de 100 km.

Por mais difícil que pareça completar 100 km de corrida, ainda existem desafios maiores durante estas provas. Muitas delas acontecem no deserto ou no gelo.

Apesar destes obstáculos, há quem se sinta bem e feliz participando de uma ultra-maratona. É o caso de João Sacks Prestes, que tem 62 anos, é empresário e dedica-se intensamente aos treinos e às provas.

Mas o interesse por esportes existe há muito tempo. “Sempre pratiquei esportes, desde criança eu jogava Basket. Depois veio o interesse pelo tênis, quando eu já era pai, jogava com meu filho. Porém, quando meu filho ficou mais velho eu parei de jogar e cheguei aos 85 kg. Tempos depois decidi começar a caminhar: andava 100 m e corria 10 m e assim fui aumentando, gradativamente, até chegar, finalmente à corrida”, conta.

Índia, outubro de 2010.

João levou dois anos para perder peso. E foi em 1995 que correu sua primeira maratona. “Eu sou sócio do Clube Santa Mônica e em novembro acontece a Maratona do clube. O presidente do mesmo me inscreveu e eu decidi ir. Meu filho me acompanhou e eu terminei a prova em quatro horas, com dificuldades”, relembra.

E desde então João não parou mais de correr. Em 1997 participou de sua primeira prova internacional, na Maratona de Nova York, conheceu vários países, dentre eles Estado Unidos, Paris, Praga, Moscou, participou da Maratona do Sol da Meia Noite, na Noruega, foi para diversos países da América do Sul e até mesmo para Ásia.

Índia, outubro de 2010.

Então o empresário passou a se interessar e a participar de ultra-maratonas. Iniciou correndo entre 56 e 60 km, e permaneceu assim durante seis anos. “Depois de ter praticado no Brasil, passei para as provas internacionais. Fui para Aspe, correr nos Andes, fiz provas em montanhas de 500 km no Chile e fui para o gelo. E então, finalmente cheguei à Mojave, na prova conhecida como Bad Water, de 135 milhas, no deserto americano, bem abaixo do nível do mar. A corrida dura 60 horas. Na largada, às 06h da manhã, temos 38° e à tarde 60°. A umidade é de 4%, numa região árida e, para completar, o fim da prova se dá numa montanha de 2.800 m, que é onde fica o portal de chegada. Terminei a prova em 42h e 42 minutos. Corri durante à noite, dormi apenas uma hora. O problema destas provas que são feitas em tantas horas é que muitas pessoas começam a sofrer alucinações, por conta do sono e do cansaço. Por isso é preciso ter uma cabeça muita boa”, destaca.

Mas, para treinar para uma ultra-maratona, João segue rigorosamente sua rotina. “Eu corro 150 km por semana. Nos dias de semana corro de 20 a 23 km e nos sábados eu pego um pouco mais pesado de 30 a 35 km. Mas, volto a lembrar que, 50 % das provas são de esforço mental, pois as corridas são muito solitárias e não se pode cansar mentalmente”, ressalta.

Prova de Campinas de 24 horas: em 27 de novembro de 2010

Porém, ele comenta que é complicado conciliar a vida particular, pessoal e o esporte. “Eu ajudo meu filho em sua empresa meio dia. Mas, acordo bem cedo, faço musculação e alongamento. Vou trabalhar e à tarde pratico minhas corridas, com chuva, frio, calor ou sol. Alterno entre caminhas e corridas, pois a ultra-maratona não é uma prova de velocidade. Treino nestes horário para me acostumar com os desafios que existem nestas provas”, explica.

Prova de Campinas de 24 horas: 27 de novembro de 2010.

Além de provas no deserto, João também já foi para uma ultra-martona no gelo, na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá. Chamada de Arrowhead, esta também tem 135 milhas e é uma prova totalmente de sobrevivência. “Nós precisamos levar nosso material inteiro em um trenó, a -20° de temperatura. Deve conter em nosso equipamento saco térmico que aguente até -50°, pó químico para o caso de haver hipotermia, um liquinho para esquentarmos a água que congela e 10 mil kcal em alimentos, para casos extremos, apenas para sobrevivência, pois quando não acontece algo grave, precisamos, ao fim da prova, entregar os alimentos. É uma prova desafiadora, principalmente pelo fato de sabermos que muitas pessoas já tiveram que amputar partes de seus corpos por congelamento”, alerta.

Outra prova que encanta o empresário é uma que acontece aqui no Brasil, na Serra da Mantiqueira, na divisa de São Paulo com Minas Gerais. É uma competição organizada pelos Estados Unidos, que tem 135 milhas de percurso e 10 mil metros de subida. “É uma prova que traz pessoas do mundo inteiro e eu fiz vários amigos durante estes anos”, destaca.

Índia, em outubro de 2010.

João também já participou de um corrida no Himalaia, 100 milhas abaixo do Monte Everest, um dos 4 maiores picos do mundo, no Nepal. “Na largada temos -10°, durante a prova esquenta, mas não o suficiente para sentirmos calor. Nesta prova, eu acampei nas montanhas. O problema maior esta na dificuldade em respirar, pois esta é a maratona mais alta do mundo e é preciso respirar 3x mais para que tenhamos uma respiração normal”, comenta.

Índia, em outubro de 2010.

O empresário ressalta que está se preparando para provas que acontecerão em breve, em Bombinhas, uma Maratona (42 km) e no Rio de Janeiro, também irá participar de uma corrida que dura 24h. “É maravilhoso correr, conhecer pessoas e lugares. São poucos os atletas brasileiros que participam destas provas desafiadoras, na verdade são sempre os mesmos que vão e isso faz com que a nossa amizade cresça”, finaliza.

Índia, em outubro de 2010.




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7 Respostas para “Ultra-Maratona no deserto e no gelo, você teria coragem?”

  1. Raul Avelino Francisco Junior disse:

    É isso João, meu parceiro de tantas aventuras nestas nossas “corridinhas” por aí parabéns pela reportagem, sentimos sua falta na ultra 24hs da AMAN, espero que já esteja recuperado. RAULTRABRAÇO E BORACORRÊ!!!

  2. jose A morim disse:

    tenho acompanhado algumas das suas corridas pois somos da mesma faixa etária e isso nos obriga a saber com quem estamos competindo Nos fuzileuros perguntei quem era o Joao que estava em 3º e Eu (Amorim) estava em 4º . Fiquei admirado com o curiculum que me deram de voçe.A partir daí tenho vontade de falar consigo pessoalmente para partilhar das suas aventuras pois tudo que seja corrida me empolga. No dia 25/05 vou para Comrades,em Setembro temos Fuzileiros em Novembro vou 3 dias Deserto SAARA e em Dezembro Texas, quem sabe nos encontremos numa destas aventuras. Um abraço AMORIM

  3. A produção do club penguin(Um jogo numa ilha gelada!) Nós do club penguin mandamos R$:50000 Para ajudar nessa caminhada no gelo.

  4. joilson da silva ferreira (jabá) disse:

    joao parabensss e em breve estarei com vc na ultra no geloooo!! somos os alucinados por corrida!! deus te abençoe

  5. Rafael disse:

    Parabéns João ,esta matéria ficou maravilhosa e são exemplos como vc que são nossas inspirações um ultra abraço .

    Rafael

  6. eduardo disse:

    admiro pessoas como vc joao! gostaria de ter a coragem e a força de vontade sua! vc e exemplo para todos! abraços


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